AS “DONAS DE CASA” SOM O GROSSO DA CLASSE OPERÁRIA BASCA por Justo de la Cueva. In Negación vasca radical del capitalismo mundial, Editorial VOSA, S. L., Madrid 1996, pp. 237-244.


      Aquela quantificaçom que o documento de KAS fai do Povo Trabalhador Basco (por volta de 90% da populaçom) e essa rigorosa análise da sua alienaçom (que no texto se completa e concretiza com dados rotundos e reveladores) som decerto valosos mas muito provavelmente o que che resulte (a ti e a todos os leitores do documento de KAS) mais surpreendente e inesperado seja que a análise da composiçom do Povo Trabalhador Basco. O documento de KAS afirma que “a classe operária é o grosso da populaçom basca”. O que nom é qualquer novidade embora a burguesia pretenda agora desmenti-lo utilizando definiçons da classe operária distorsionadas e bem diferentes da rigorosa que emprega KAS no seu documento. O que sim será umha novidade e umha surpresa para muitos é a afirmaçom de KAS sobre quais som as duas fracçons mais numerosas da classe operária basca. Leio-che os parágrafos ao respeito. Di KAS no documento que:

      "O grosso da classe operária basca som as 650.000 mulheres que com umha média total de mais de 9 horas/dia, o parcial de mais de 4 horas/dia, sustentam gratuitamente a imprescindível recomposiçom psicosomática da força de trabalho social. Excluída Nafarroa pola ausência de dados, em Vascongadas somam quatro milhons de horas/dia nom pagas polo Capital e imprescindíveis para ele. Quatro milhons de horas/dia que som o triplo das horas/dia dedicadas à indústria. 4.000.000 de horas/dia das que 92% som trabalhadas por mulheres.

      As cifras geraos estimativas para a economia capitalista falam de que o que se define como “trabalho doméstico” suporia oficialmente entre 20 e 45% do Produto Interior Bruto segundo o método de cálculo usado. Aliás, nom devemos considerar apenas o esqüeto trabalho domiciliário, mas também o conjunto de atençons familiares extradomiciliárias e o conjunto de “labores” sexo-afectivos implícitas à exploraçom sexoeconómica. “Labores” necessários para o rendimento médio da força de trabalho social considerando os custos globais que se poupam polas e nas rotineiras funçons sexo-afectivas da mulher.

      Nom nos estendemos aqui nas especiais condiçons de exploraçom da força de trabalho da mulher assalariada, quer no trabalho submerso, precário, a domicílio, etc, quer nos gabinetes, oficinas e fábricas. Formam umha fracçom especiamente punida dentro da classe operária tanto polos postos de trabalho que ocupam e os que tenhem sistematicamente proibidos, quanto polo menor soldo percebido que em Vascongadas é de 21,6% inferior ao dos homens, ou mesmo polas condiçons de acossa e agressom sexual e intimidaçom difusa ou pública por parte dos seus “companheiros” de exploraçom, que tiram inequívocos benefícios machistas.

      Existe ademais umha activa solidariedade patriarcalista entre patrons e operários que se exprime mais rijamente na indefensom da mulher trabalhadora em todos os sensos, nomeadamente ao expulsá-las do trabalho. Os sindicatos defendem na sua maioria o corporativismo patriarcal”.

      Fai-me um favor. Para aqui a fita, torna atrás e escuita um par de vezes esses quatro parágrafos do documento de KAS que acabo de ler-che. Tenho a tentaçom de dizer-che que esses parágrafos som, de todos os que vés escuitando-me nestas cassettes, os que mais podem -se os perceberes e assumires- variar a tua compreensom do que o mundo é. Repara bem, repete comigo a mensagem básica desses parágrafos de KAS: “As “donas de casa” som o grosso, a fracçom numericamente mais nutrida, da classe operária basca”. Lembras quantas vezes nestas fitas che tenho insistido em que o capitalismo torna opaca a sociedade?. Recordas os trechos que che lim há um bocadinho do documento de KAS referidos aos mecanismos de alienaçom capitalista que agem sobre o Povo Trabalhador Basco? Pois quiçá nengum outro caso como o das “donas de casa” reflecta e exprima os terríveis efeitos da alienaçom capitalista e do seu sucesso ao tornar opaca a sociedade capitalista. Fai a prova. Conta à tua mae, ao teu pai, aos teus vizinhos e amigos que acabas de inteirar-te de que as “donas de casa” constituem o grupo mais numeroso da classe operária basca. E comprova o espanto e a surpresa com que receberám a tua afirmaçom de que as mulheres que realizarem o trabalho doméstico som operárias e fam parte, polo que fam -esse trabalho doméstico- e por como o fam, da classe operária. De que realizam um trabalho produtivo, que produz valor. Por que, aliás, a exploraçom que sofrem da sua mais-valia é máxima porque o Capital nom lhes paga nada, expropria-lhes todo o valor que produzem.

      Repara: KAS PRESTOU UM INESTIMÁVEL SERVIÇO AO POVO TRABALHADOR BASCO COM ESSES PARÁGRAFOS DO SEU DOCUMENTO. Porque ajudarám ao Povo Trabalhador Basco a tirar dos olhos a teia de aranha embusteira da falsificaçom ideológica capitalista e a aprender que a definiçom “DONA DE CASA” para a espaço em branco de profissom do Bilhete de Identidade ou o espaço da folha do censo ou padrom, empregue para as mulheres que realizam o trabalho doméstico, é umha monstruosa falsificaçom. Provavelmente a mais rendível, para o Capital, das inúmeras falsificaçons que efectiva. Nom che digo por dizer que é a mais rendível. Lembra que no texto de KAS se assinala que se se contabilizasse o trabalho doméstico agora nom pago e nom contabilizado teria que aumentar o valor do Produto Interior Bruto actualmente contabilizado entre 20 e 45% das quantidades actuais. Essa oscilaçom entre 20 e 45% depende do método de cálculo que for empregue.

      O trabalho doméstico, 92% do qual é realizado -lembra- por mulheres, é o conjunto de actividades de manutençom requeridas para produzir diariamente a força de trabalho, incluindo o trabalho de procura, posse e transformaçom de bens (a comida por exemplo) em valores de uso para o consumo. Devém essencial que percebas que, como sublinha KAS, esse trabalho de reproduçom da força de trabalho É IMPRESCINDÍVEL para o funcionamento do sistema, mas que o Capital NOM PAGA NADA POR ELE (rouba-o tudo) conseguindo dessarte umha FANTÁSTICA DIMINUIÇOM DO PAGAMENTO dos custos reais de produçom ao tornar inexistente, escamoteada polo jogo de maos ideológico do sexismo específico capitalista, a porventura mais importante partida destes custos (entre 20 e 45% do actual valor total do produzido).

      O que acaba de fazer KAS com esses parágrafos do seu documento é pôr-nos diante dos olhos, como nom tinha feito antes nunca nengumha força política basca, o problema fundamental encarnado por esses centos de milhares de mulheres bascas que sofrem cada dia o trabalho embrutecedor, repetitivo, sempre inacabado, dos “labores da casa”. Esse trabalho incómodo em que elas sofrem todas as conseqüências das agressons capitalistas: a inadequaçom das vivendas, a falta de mercados e serviços sociais, a angústica da escasseza de dinheiro defrontada com a brutal escalada dos preços. E que supom a constante frustraçom de ser um “trabalho para nada”, em que, ao acabarem de esfregar os pratos, aginha se sujam de novo. Os operários bascos varons caírom de bruços na armadilha ideológica do sistema capitalista que consiste em dizer que isso nom é trabalho. Que os “labores da casa” nom som trabalho. Os operários bascos varons nom acabárom de (nem começárom a) perceber que o trabalho que as mulheres fam no lar é trabalho. E trabalho que fam de graça para os capitalistas. Trabalho que, repito-che, os capitalistas exploram e expropriam sem pagarem um cêntimo por ele. Porque, repito-che mais umha vez, o trabalho que as mulheres fam nas suas casas, os “labores da casa”, é imprescindível para os capitalistas. Porque, insisto-che, esse trabalho é necessário para a reproduçom da força de trabalho empregue nas fábricas e nos postos de trabalho. Para que os operários reponham as forças gastas cada dia na fábrica, a oficina, nas ruas e nos escritórios, e podam voltar a ter forças para gastarem-nas de novo ali no dia seguinte, devém vital que “alguém” tenha pelejado durante o dia no mercado a fazer a compra, na cozinha fazendo a comida, na casa lavando, esfregando, fazendo as camas. Cumpre que alguém tenha a mesa e a cama prontas para o operário repor a sua força de trabalho. E a cona aberta para que descarregue a sua irritaçom e a sua agressividade impotentes e contidas no posto de trabalho.

      E para que, quando a idade e a exploraçom tenham esgotado a sua força de trabalho, haja outros portadores de força de trabalho que o substituam, os capitalistas precisam de que alguém faga por parir, por alimentar, por lavar, por vestir e cuidar as CRIAS DE NOVOS OPERÁRIOS. Necessitam que alguém faga por produzir operários. Os “labores da casa” tornam destarte trabalho ao serviço dos capitalistas. Trabalho que tem um produto muito concreto: reproduzir nos operários a força de trabalho gasta cada dia e reproduzir os operários mesmos, duplicando-os nas suas crias.

      Na medida em que os operários nom som mais do que máquinas-ferramentas que os capitalistas usam, nessa medida os “labores da casa” som o trabalho necessário para ir preparando as máquinas-ferramentas que os substituam quando se gastarem de vez. Os “labores da casa” som a forma de fazer o trabalho de consertar operários e de fabricar novos operários. Os “labores da casa” som o trabalho gasto na reproduçom da força de trabalho. Sem essa reproduçom o sistema capitalista nom funcionaria. Deixa-me insistir-che mais umha vez (porque é vital que o percebas bem) que o que acontece é que os capitalistas conseguírom um sucesso total na fantástica operaçom de engano consistente em dissimular esse facto fundamental. Tenhem conseguido que os operários julguem que esses “labores da casa” nom som trabalho. E que é lógico por isso que os capitalistas nom o paguem. O sucesso do engano completa-se porque as mulheres que fam esse trabalho nom percebem o que é que fam e por isso admitem que no bilhete de identidade lhes ponham, em vez do que som e fam “reprodutoras de força de trabalho”, essa mentira que di “sem profissom” ou “os seus labores”.

      A melhor prova de que “os seus labores” som um trabalho que o sistema capitalista necessita que realizem para ele as mulheres das classes dominadas e exploradas é que as únicas mulheres que NOM fam OS SEUS labores som as mulheres da classe dominante e das suas classes de apoio. Os labores da casa nom som próprias da mulher senom próprias das dominadas e exploradas. Há mulheres, lembra-o, que nom as fam: as da classe dominante e das suas classes de apoio. A quem, significativamente, esses labores, lhos fam muitas vezes varons dominados e explorados: criados, lacaios, cozinheiros, etc., etc.

      Repara que os capitalistas antingírom o difícil recorde de Ter um exército de 650.000 escravas no Sul de Euskal Herria que realizam de graça para eles a reproduçom quotidiana fabricando-lhes e cuidando-lhes, também sem dar-lhes um cêntimo por isso, novos operários para eles.

      A letal eficácia, a elegáncia, a fascinante subtileza desta organizaçom criada polos capitalistas brilha com um fulgor deslumbrante se pensas em que os capitalistas nom precisam de gastar nada em campos de concentraçom nem em guardas para vigiar essas 650.000 escravas porque cada umha delas é vigiada e controlada polo mesmo indivíduo que tenhem de cuidar. E os únicos arames farpados que tivérom de colocar para que essas escravas nom fujam da sua vida de trabalhos forçados som os arames farpados do matrimónio e da família. E os únicos guardas que se encarregam dos arames farpados som os curas e os bispos, os publicitários que imaginam e desenham espots e os jornalistas que escrevem e fotografam revistas “para a mulher” ou “do lar”, ou tagarelam progamas radiofónicos, uns grupos de canalhas cuja tarefa consiste em terem falsamente satisfeitas ou resignadas as escravas dos capitalistas.

      E da mesma maneira que se preocupam com que as suas vacas ou as suas ovelhas nom deixem de reproduzirem bezerros ou anhos para manter sempre os volume dos seus rebanhos, os capitalistas espanhóis que padecemos e os seus cúmplices os capitalistas bascos, tenhem-se preocupado durante decénios e decénios de terem proibida a pílula ou de fazê-la cara e difícil de achar ou de difundir mentiras sobre a sua perigosidade e agora os grotescos fachas do Governo de UPN em Navarra de dificultarem a informaçom sobre o preservativo e de promocionarem a castidade como método preventivo contra a SIDA. E naturalmente estigmatizárom, perseguírom, condenárom e punírom o aborto. E quando, tarde e mal, foi legalizado o aborto no Estado, utilizárom e utilizam todo o tipo de manobras, legais, ilegais e alegais, para dificultarem a efectiva aplicaçom dessa legislaçom curta, insuficiente e coxa. Porque no sistema capitalista as mulheres som escravas. E o mesmo que o corpo da vaca ou da ovelha nom som propriedade nem da vaca nem da ovelha senom do dono das mesmas que as emprega para produzir bezerros ou anhos, o corpo das mulheres no sistema capitalista nom é seu nem podem usá-lo como e para o que gostarem. O seu corpo é propriede do Capital, a sua funçom é produzir, parir, novos operários. E é-lhes proibido, tem-lhes de ser proibido, foder e gozar. Apenas podem fazê-lo para fabricarem novos operários.

      Convido-te agora a que contemples uns factos significativos. Ofacto de que na MAL MENTIDA como “catolicíssima” Navarra, no território onde o sector da Opus Dei tem afincada a sua cidadela, as mulheres bascas navarras desobedeçam maciçamente essas ordens do Capital veiculadas pola Igreja e pola Opus e tenham um recorde europeu (que neste campo equivale a recorde mundial) de baixa fecundidae, um índice Sintético de Fecundidade em 1988 de 1,26. Só por cima do mais baixo europeu marcado pola República Federal Alemá (quando o índice de 2,1 filhos por mulher é o imprescindível para garantir que se mantém a populaçom substituindo os falecidos com os nascidos). E o facto de que a natalidade navarra tenha caído drasticamente dos 17,4 nascidos por cada mil habitantes em 1976 até os só 9,1 por mil de1987.

      Ambos factos som umha mostra de que nalguns casos e em certas circunstáncias a prática das massas pode desobedecer e contradizer os imperaticos e as ordens ideologicamente emitidas polo Capital.

      Tom também do documento de KAS esse exemplo concreto do Índice Sintético de Fertilidade que acabo de comentar-che. O nosso presente, o nosso futuro, o documento de KAS, menciona-o como um exemplo da manipulaçom propagandística com que o Estado espanhol e os seus cúmplices bascos do PNB pretendem incrementar a alienaçom do Povo Trabalhador Basco. Leio-che o que di o documento:

      “Desde aquela altura (desde o Pacto de Ajuria Enea) e nomeadamente desde fins da década de oitenta, Hegoalde padece umha ofensiva antidemocrática, umha involuçom autorizada em que a manipulaçom propagandística e a mentira chegam a toda a parte.

      Um exemplo temo-lo na propaganda oficial que se esforça em celebrar o dado de 80% de navarros/as e biscainhos/as dizerem crer em deus, dando-lhe mais importáncia do que ao facto esmagador de as navarras deterem em 1988 o segundo Índice Sintéctico de Fertilidade mais baixo da Europa (1,26 filhos/mulher) muito mais baixo do que o espanhol de 1,43. Isso quer dizer que praticamente as navarras desobedecem e incumprem os mandamentos da Igreja. Quer dizer que “pecam” com impressionante freqüência tomando toda classe de anticonceptivos. No entanto, a imprensa e os poderes que a sustentam cingem-se a estatísticas tiradas de inquéritos manipulados e amanhados para falaresm de umha suposta religiosidade negada diariamente na prática.

      Hoje está-se a produzir em Hegoalde umha feroz batalha entre e de valores sociais opostos. Milhares de bascos/as vivem e decidem a diário entre dous grandes campos de valores antagonicamente confrontados. Delatar à polícia a militante de ETA ou escondê-la em casa. Ajudar e apoiar a filha para que nom fique grávida ou aborte se o estiver ou botá-la de casa. Sabotar a cadeia e o ritmo de trabalho e chatear o patrom com justas reclamaçons ou aceitar todas as exploraçons. Assobiar à bandeira espanhol e vitorear a ikurriña e a palavra-de-ordem “bietan jarrai” ou sentir-se cómodo na “Espanha”. Acodir aos bares abertzales e boicotar as lojas que tenhem o horrível laço azul. Aprender euskara ou falar castelhano. Denunciar publicamente o chivato ou ficar calado/a. Ter um ataque de “cornos” ou aceitar a liberdade pessoal da companheira/o.

      Batalha feroz de valores, normas, modelos, projectos quotidianos, que se está a livrar a diário com umha intensidade tremenda e que repercute globalmente em todas e cada umha das situaçons sociais.”

      Quero insitir-che em que percebas que um dos mais amargos frutos do capitalismo como sistema histórico é o sexismo. Som os padres, os maridos, os companheiros e os filhos das mulheres, os que envenenados e alienados os seus cérebros polo machismo capitalista agem como capatazes e controladores para que as mulheres criem mais-valias para os proprietários do Capital que nem sequer lhes paga o mais mínimo por isso. Som esses pais, maridos, filhos quem recitam o discurso do capitalismo afirmando que o trabalho doméstico das mulheres nom é tal trabalho, que som “donas de casa”, que nom trabalham, que se contentam com “levarem a casa”, que nom criam mais-valia.

      Atençom! Nom te confundas. Nom creias que estou a negar a evidência de que o patriarcalismo, a família hierárquica, o centrismo do pénis, a estrutura falocrática e a divisom do trabalho por sexos NOM som inventos do capitalismo e existem de há milénios e milénios. O que estou a dizer-che é também umha evidência sempre que se souber rachar o véu da alienaçom: que o sexismo sim é um invento do capitalismo histórico. Porque foi o capitalismo o que estabeleceu umha correlaçom entre divisom do trabalho e VALORIZAÇOM DO TRABALHO. Foi o capitalismo quem criou e institucionalizou o sexismo ao realizar umha constante desvalorizaçom do trabalho das mulheres e umha paralela constante insistência no valor do macho adulto. Foi o capitalismo o que criou a distinçom legal e paralegal entre “cabeça de família” e “dona de casa” e o que fijo “natural” o invento de que aquele cobre salário porque trabalha e que esta nom cobre salário porque nom trabalha. Foi o capitalismo como sistema quem engendrou o sexismo.

      E o que fijo possível que essas 650.000 mulheres bascas que componhem hoje a fracçom mais numerosa e mais explorada da classe operária basca sofram a suplementar humilhaçom que consiste em que os seus companheiros de classe nem sequer saibam ou podam reconhecer-lhes que som operárias exploradas polo Capital. De que eles exercem nas suas casas um infame papel de capatazes vigilantes dessa exploraçom. Infame porque ao exercitá-lo o mahco obtém na vida quotidiana um canal de gratificaçom, de compensaçom, de desabafo, de translaçom e descarga sobre terceiros (a sua mulher ou a sua mae ou a sua filha) das frustraçons, os sensabores e os fracassos diários que a sua própria condiçom de explorado polo Capital lhe geram. O Capital consegue dessarte que os explorados por ele explorem para si as suas mulheres como animais de carga e cria e as usem como objectos dos que se tira frustrantes satisfaçons sexuais e transferidas ilusons de domínio compensatórias das suas frustraçons como dominados.

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